Quem já caminhou pela Chapada Diamantina sabe: a montanha é uma grande professora.
No silêncio da trilha, no peso da mochila, no ritmo da respiração, aprendemos sobre nós mesmos, sobre limites, escolhas, constância e propósito.
Inspirada pelo livro “Líder Trekking – O Executivo e o Professor no Vale do Pati”, de Cezar Almeida (@cezaralmeida77), a gente revisitou alguns desses ensinamentos e encontrou três lições essenciais, tão úteis na montanha quanto no dia a dia.
1. Revise o que você carrega
Na trilha
O peso da mochila importa, e muito.
Desapegar do que não é necessário faz você andar mais leve, mais rápido e com menos desgaste.
Nossos guias fazem esse exercício diariamente: observam o que cada viajante leva e ajudam a retirar excessos. Parece apenas logística, mas é filosofia pura. Porque, no fundo, não somos só donos do que possuímos, também pertencemos a cada coisa que carregamos.
Cada objeto vira responsabilidade: ocupa tempo, energia, preocupação.
Muitas vezes, aquilo que acreditamos nos servir é exatamente o que nos aprisiona.
Por isso, viajantes experientes carregam menos. Eles sabem que, na montanha, o que sobra pesa mais do que o que falta.
Na vida
Para chegar onde queremos, precisamos desapegar também dos nossos próprios “pesos”: padrões, hábitos, crenças, lugares, pessoas.
Carregar menos permite caminhar mais longe.
Amadurecer é perceber que a felicidade quase sempre exige menos do que imaginamos.
Pessoas mais felizes se apegam ao essencial, e deixam ir o que perdeu o sentido.
2. Tenha um plano: tanto na trilha quanto na vida
Na trilha
É possível chegar ao destino sem planejamento? Talvez.
Mas é grande a chance de se perder, ter que recomeçar ou viver um desgaste desnecessário.
Na montanha, planejamento é sinônimo de segurança:
• roupa adequada
• água suficiente
• rota definida
• mapa, GPS ou guia experiente
• referências confiáveis
Quando você sabe onde quer chegar, o caminho fica mais claro.
Quando você se prepara, a caminhada fica mais leve.
A trilha ensina que não é mágica, é constância.
E os recursos certos fazem toda diferença.
Na vida
Reconheça seu objetivo e trace um plano.
Escolha suas referências, suas companhias, seus hábitos.
O que consumir?
Que livro ler?
Que curso fazer?
Com quem caminhar?
Tudo isso molda o terreno da sua jornada.
Se você quer evoluir em um esporte, por exemplo, não adianta se cercar de pessoas que te desencorajam. Busque quem te inspira, parceiros de treino, conteúdos que elevam, não que te travam.
E lembre-se: para chegar ao último degrau, é preciso subir um de cada vez.
3. Pare antes da exaustão
Na trilha
Guia experiente nunca deixa o grupo chegar ao limite para só então parar.
Ele define pontos estratégicos — mesmo quando ninguém parece cansado — porque sabe que:
quem descansa antes da exaustão chega mais rápido, mais forte e aproveita mais.
Se o grupo ultrapassa o limite, o tempo de recuperação é maior e o rendimento cai.
Por isso, a regra é simples: recomponha as energias enquanto ainda tem energia.
Na vida
Não é coincidência o burnout ser chamado de doença do século.
Vivemos exaustos, ultrapassando limites diariamente, até que o corpo pede socorro, ou desliga sem aviso.
Escutar seu próprio ritmo é sabedoria.
Descansar não é fraqueza, é estratégia.
Pare antes de se esgotar.
Dê pausas ao corpo, à mente e às emoções.
O descanso certo, na hora certa, muda o caminho inteiro.
A montanha como espelho da vida
O Vale do Pati é, há décadas, uma escola silenciosa.
Quem passa pelo seu verde, pelas ladeiras, pelos mirantes, costuma levar na mochila algo muito maior do que belas fotos: leva aprendizados.
O livro “Líder Trekking” traduz esses ensinamentos com clareza, mostrando como a caminhada revela padrões, ilumina escolhas e ajuda a construir uma vida mais consciente.
Nós, da Lençóis Trekking, acreditamos profundamente nisso:
o que vale no Pati, vale na vida.
E você, o que tem aprendido com as trilhas que percorre?